PROJETO CURSO
CULTURA DIGITAL E ENSINO
ALUNO:
André Fraga Fernandes
NOME CURSO :
Aprendendo a ler, resumir e criar
1. FORMA DE OFERTA : HÍBRIDO
2. TEMPO DE DURAÇÃO: 6 semanas
3. CARGA HORÁRIA TOTAL: 12 horas
4. PÚBLICO: Alunos a partir do
sexto ano do ensino fundamental.
5. JUSTIFICATIVA DA OFERTA DO
CURSO
Este
curso é de grande relevância por sua busca em promover em sala de aula
condições para o desenvolvimento de verdadeiros leitores. Buscando o engajamento
intelectual do aluno, procurando meios de valorizar o letramento do aluno e não
pura e simplesmente uma alfabetização que tem se mostrado ineficaz. O ensino de leitura é fundamental para
resolver problemas relacionados ao pouco aproveitamento escolar: ao fracasso na
formação de leitores podemos atribuir o fracasso geral do aluno no ensino
fundamental e médio.
6. OBJETIVOS
Trabalhar
a capacidade de letramento dos alunos buscando aprimorar e avaliar o grau de
interpretação textual e absorção de informação contida em um texto. Além disso,
de forma paralela o trabalho pretende estimular a capacidade criativa dos alunos
através do uso de tecnologias digitais como ferramenta de expressão de sua
leitura e visão das mensagens escritas.
7. PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
É
fato notório a existência de uma crise nos métodos de educação em nível
mundial. Trata-se de uma crise institucional
e não de uma crise dos alunos e manifesta um mal muito antigo, porém, pouco
visível, mas que tem seu lado positivo. É boa essa percepção do erro e o
incômodo que tem causado. Ainda que levemos muito tempo perpetuando uma
educação obsoleta, já não se pode educar à força a nova geração e isso é bom.
Esta crise, portanto, está provocando a quebra de um sistema que embora seja
funcional é muito antigo e tornou-se ineficaz. Podemos chamá-lo de sistema
patriarcal, ou hierárquico. Paulo Freire em seu livro “Pedagogia do Oprimido”
chama-o de sistema bancário, pois os professores se comportam como narradores
indiscutíveis, que depositam seus saberes nos alunos e estes, por sua vez,
pacientemente ouvem e arquivam conteúdos como se fossem um banco. O ideal seria
adotar uma atitude que concedesse mais liberdade e autonomia ao aluno,
horizontalizando a rede de captação e absorção de conhecimentos, ao invés da
transmissão hierárquica alheia aos anseios e interesses do aluno.
Um
processo de ensino que valorize e utilize os conhecimentos e experiências
prévias dos alunos e que não obedeça a um programa hierárquico e automatizado de
análises sintáticas, semânticas e morfológicas que funciona como se fosse uma
linha de montagem de uma fábrica, com testes e conceitos ao final da disciplina.
Uma ideia próxima à metodologia utilizada por uma escola de Portugal, Escola da
Ponte, que utiliza a lógica do processo natural de aprendizagem que ocorre com
todos os seres humanos quando aprendem a falar. Rubem Alves define muito bem
este processo fazendo a seguinte reflexão:
“Imaginem
que o ensino da linguagem se desse em escolas, segundo os moldes de linha de
montagem que conhecemos: aulas de substantivos, aulas de adjetivos, aulas de verbos,
aulas de sintaxe, aulas de pronúncia. O que aconteceria? As crianças não aprenderiam
a falar. Por que é que a aprendizagem da linguagem é tão perfeita, sendo tão
informal e tão sem ordem certa? Porque ela vai acontecendo seguindo a
experiência vital da criança: o falar vai colado à experiência que está
acontecendo no presente. Somente aquilo que é vital é aprendido. Por que é que,
a despeito de toda pedagogia, as crianças têm dificuldades em aprender nas
escolas? Porque nas escolas o ensinado não vai colado à vida. Isso explica o
desinteresse dos alunos pela escola. ”
Precisamos
de uma educação afetiva ou interpessoal como essa, uma educação que tenha essa
capacidade de existir por meio da boa convivência e da participação da
comunidade e da qual o mundo precisa urgentemente. A educação precisa ocupar-se
da dimensão profunda do ser humano.
Segundo Paulo Freire “A prática educativa
será tão ou mais eficaz quando, possibilitando aos educandos o acesso ao
conhecimento fundamentais ao campo em que se formam, os desafie a construir uma
compreensão crítica de sua presença
no mundo”. De forma análoga ao pensamento de Paulo Freire, Renee Hobbs diz que
“a aprendizagem da escrita deve implicar a aprendizagem do mundo, uma vez que o
sujeito, a linguagem e o conhecimento estão interligados. Toda a gama de
competências cognitivas, emocionais e sociais que inclui a utilização de
textos, ferramentas e tecnologias; as habilidades de reflexão crítica e
análise, a prática da criação da mensagem e criatividade, a capacidade de se
envolver na reflexão e pensamento ético, assim como a participação ativa
através de trabalho em equipe e colaboração. ”
Para atingir este objetivo, os educadores precisam utilizar-se o quanto
possível das novas tecnologias que fazem parte do cotidiano das novas
gerações. Fazendo uso de todas as mídias
ao alcance dos alunos: internet,
televisão, cinema, tablet, celular, rádio, quadrinhos, livro, música, redes
sociais, videogame, entre outras.
8. AVALIAÇÃO
A
avaliação será realizada sobre a história em quadrinhos apresentada ao final do
curso. Será levado em consideração o nível de interpretação e proximidade da
história em quadrinhos em relação ao texto original.
9. RECURSOS NECESSÁRIOS:
Computadores,
Editor de imagem, Editor de texto, site especializado em criação de histórias
em quadrinhos.
10. EMENTA
Conceito
de letramento; leitura de contos clássicos; práticas de leitura em voz alta;
conceitos de resumo e interpretação de texto; estímulo criativo; edição de
imagens; criação de histórias em quadrinhos;
11. CONTEÚDO
PROGRAMÁTICO
1ª
Aula – Leitura dos contos e primeiras impressões.
Apresentação
dos autores. Para que todos tenham acesso à leitura os textos serão projetados
para que todos leiam juntos. Os textos serão mediados de forma que os alunos
possam analisar e discutir o texto, gerando uma maior compreensão.
Contos
a serem lidos:
A
viúva Sobral – Machado de Assis.
As
formigas – Lygia Fagundes Telles.
Um
especialista – Lima Barreto.
Viagem
de bonde – Raquel de Queiroz.
2ª aula – As leituras e o resumo.
Introdução
e resumo do conto a ser lido em voz alta. Antes da leitura, um dos alunos
escolhido pelo grupo fará um resumo da história a ser lida. Isso verificará o
quanto os alunos conseguiram absorver da leitura do texto, bem como facilitará
o acompanhamento por parte dos alunos ouvintes.
Leitura
em voz alta por parte dos alunos, sem a projeção do texto. Esta etapa visa
avaliar a fluência da leitura dos alunos.
Após
a leitura dos textos será aberta oportunidade para os ouvintes esclarecerem
dúvidas ou tecerem observações. Essa parte é mediada pelo professor.
3ª
Aula
Elaboração
de uma história em quadrinhos baseada nos textos lidos.
Criação
dos diálogos e roteiro da história.
4ª
Aula
Pesquisa
de imagens, via sites de imagens ou desenhos a serem utilizados na história.
Compilação
das imagens e início da formatação da história utilizando site meugibi.com
5ª
Aula
Formatação
final da história em quadrinhos.
6ª
Aula
Apresentação
das histórias em quadrinhos e avaliações finais.
12. METODOLOGIA
Esta
atividade passa por três momentos que pretendem trabalhar distintamente
habilidades de leitura, interpretação e criação ou produção textual. Inicia-se
com a leitura de 4 diferentes contos de curta extensão em sala de aula pelo
professor. Após a leitura encontraremos diferentes grupos de alunos
identificados aos diferentes contos para depois cada grupo prestar atenção mais
detida à exposição de informações referentes aos contos e sua história, para
estarem aptos a realizarem uma leitura mais consistente e esclarecedora dos
contos escolhidos. Entre si, os alunos de cada grupo realizarão a leitura dos
contos e escolherão um ou dois representantes para ler o texto em voz alta na
sala de aula e um terceiro membro para fazer um resumo bem sintético do
conteúdo do texto. Após esta primeira fase de leitura e interpretação os alunos
terão o desafio de criar uma história em quadrinhos baseada no respectivo
conto.
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, RUBEM - A escola com
que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Papirus Editora, Campinas,
SP, 2001 e Edições Asa, Porto, 2001.
FREIRE, Paulo - Pedagogia
do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
HOBBS, Renee. Digital and
media literacy: connecting culture and classroom. USA: Corwin, 2011. (tradução
livre)
REZENDE, Maria Vidotti de
– O conceito de letramento digital e suas implicações pedagógicas. http://periodicos.letras.ufmg.br/index.php/textolivre
Ano: 2016 – Volume: 9 – Número: 1 – ISSN 1983-3652
MARCUSCHI,
L. C. Compreensão do texto: algumas reflexões. In O Livro Didático de Português:
múltiplos olhares. DIONÍSIO, de Janeiro: Lucerna, 2005.
KLEIMAN,
Ângela, oficina de leitura Teoria e prática, 9a Edição, Campinas, São Paulo.